quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Relato de uma Assombração(Parte 3)

NÃO LEIA ISSO SEM ANTES TER LIDO AS OUTRAS PARTES!
Para ler as outras partes da história:
Relato de uma Assombração(Parte 1)
Relato de uma Assombração(Parte 2)

Parte 3:
Após a saída de Luiza, Thomas, ainda sob um pouco de efeito das drogas, colocou sua roupa e olhou para o relógio, eram 07h35min. Pegou sua mochila, e colocou o que achava necessário nela. O conteúdo era uma lanterna, uma caixa de fósforos, três magos e uma faca, esta que foi pega quando na saída de sua casa ele passou pela cozinha. Bom garoto aquele Thomas. E sua inocência era uma ilusão.
Saiu caminhando em direção ao mercado Progresso. Chegando a uns 20 metros avistou André sentado em um banco em frente à espelunca. Olhou-o cumprimentando-o:
- Cadê o Chica?
- Ta lá dentro comprando fumo.
- Vamos lá - disse entrando no mercado.
Entraram e foram até a parte onde ficam as bebidas. Todas as garrafas tão diferentes, mas também tão parecidas, assim como as listras de um tigre. Vários tamanhos, vários sabores, vários teores. A daquele dia foi escolhida a dedo por nosso protagonista. Conhaque é o que liga, barato e forte. Chica chegou perto deles perguntando:
- Qual vai ser a dessa noite?
- Conhaque – respondeu André, satisfeito com a escolha de seu dito amigo.
- Não poderia ser outra coisa?– disse Chica. Sempre do contra esse rapaz.
Thomas o olhou serrado, pegou a garrafa de conhaque na mão, a ergueu acima da cabeça e disse:
- Forte de mais para você boneca?
Chica deu uma risada irônica digna de Patrick Kenzie* e pegou a garrafa da mão de Thomas. Abriu e tomou um longo gole enquanto o encarava. Dirigiu-se para o balcão dizendo:
- Me ajudem a pagar esse goró.
- Claro – disse Thomas como se tivesse ganhado uma aposta alta.
Cada um deu em média três reais, ótimo, na faixa. Seguiram caminhando e bebericando em direção ao sombrio shopping, que ficava a algumas quadras de onde estavam. Chica pegou um cigarro de sua caixa de Lucky, ascendeu e estendeu-a para Thomas, que pegou o seu, e cumprindo o ciclo estendeu-a para André. Logo o doce conhaque já lhes empurrava para o caminho da coragem. Quando perceberam já estavam em frente ao seu destino.
O Shopping Chinês tinha quatro andares, seu telhado era pintado de vermelho, as paredes da fachada eram brancas e os detalhes das janelas e portas eram em azul escuro. Na frente tinha uma porta de vidro trancada por uma corrente presa por um cadeado, e na lateral tinha um portão de tamanho médio e de cor azul. Ficaram observando-o, procurando a melhor entrada. Chica, com sua genialidade anormal, sugeriu que alguém pulasse o portão. Ele mal terminou de falar e Thomas saiu correndo se apoiando em cima do portão, batendo os pés na parede e pousando do outro lado do portão sem dificuldade nenhuma. A penumbra era grande, fazia com que a iluminação fosse feita apenas pela fresta de luz que saia por baixo do portão e pelo luar. O garoto caminhou seguindo a parede pálida até avistar uma porta. Foi até ela e forçou o trinco para baixo verificando o que já tinha certeza, estava trancada. Voltou e sussurrou para seus amigos para que pulassem. Os dois o fizeram, não com a mesma facilidade, mas com a habilidade que tinham. Thomas mostrou onde tinha achado a porta e André entrou em cena. Tirou de seu bolso um clipe de papel que era moldado da forma correta para abrir fechaduras, pediu a eles uma lanterna para iluminar a tranca. Chica ascendeu e direcionou a luz. André começou a mexer e de repente se escutou. Clic, e a porta se abriu. Bons amigos esses. E estavam se condenando a partir de agora.
******
-Patrick Kenzie*:detetive criado pelo escritor Dennis Lehane.
(Continua...)

3 comentários:

niika disse...

ansiosa pela parte 4 !

Anônimo disse...

a espera da parte 4 tambem!!!!

zé disse...

tu vai acabar matando esse pobre coração de ansiedade meu jovem.